JUMPSUIT LIFE

falhei

Fev 03, 2017 teamgunn

Falhei

Falhei…

Sim, ouviste bem. Falhei!

Eu sei que falhei.

Não sei bem como aconteceu. Nem sei bem porquê. Ainda não entendi no que falhei. Porque me sinto responsabilizada.

Mas falhei.

Wow….

Falhei e isso é mau. É péssimo.

Chega! É o pior que podia ter acontecido e não vales nada.

Mas tu sabes que tens valor.

Mas porque sentes que não vales nada. Sentes que por teres falhado acabou. Nada mais pode ser corrigido. Nada pode mudar. O fardo chega como quem não quer nada, começa a instalar -se e ocupa só um banquinho (verdade, nem começa por se sentar num sofá) talvez se sinta melhor sentado num tapete como se de um animal se tratasse. Quando dás por ela, aproveitou os teus momentos de distracção e saiu do tapete.

Foda-se. Pra onde foi?

Já se instalou no quarto, na tua cama, na tua vida.

A partir de agora o momento é dele. Nada mais importa a não ser ele. O fardo. O sacana que te tirou todas as sensações boas da tua vida e fechou-as no armário. Sim, é depressão. O nome dele é depressão e quando menos te aperceberes, mais ele guarda os teus tesouros em cofres e transforma a tua vida num inferno.

Sinto que falhei.

Aliás, sentia-me falhada. Falhei com a minha profissão, falhei com os meus deveres, falhei com a minha família, com o meu namorado, com os meus amigos, mas acima de tudo e todos, falhei comigo. Euzinha, eu eu eu. Eu fui a que mais falhei comigo.

2 anos

2 anos passaram-se desde a última vez que vesti a farda. Eu permiti que começasse em mim, e só depende de mim que termine.

Se podia culpar os outros, podia. Mil vezes podia. E mil vezes têm culpa. Umas contribuições maiores e outras mais leves. Mas a maior culpada ainda sou eu por ter permitido e não ter batido o pé.

Sentes saudades? Mil… dos meus colegas de quem nunca tive a oportunidade de me despedir. Do que fazia? Também tenho dias em que sinto e recordo o quanto gostava do que fazia, mas por norma, a seguir à lembrança boa, vem tudo o que me fez sofrer, todos os tormentos, todas as insónias, náuseas e tudo mais. Passaram 2 anos, e ainda não estou recuperada.

Tornou-se um sítio insuportável para mim, irrespirável e isso não se cura nem de um dia para o outro nem de um ano para o outro. Porque também não foi de um dia para o outro que fiquei assim.

Os tempos que se seguiram foram duros, e dolorosos. E obrigaram a medidas drásticas, tão drásticas que mudei.

Não mudei os meus princípios, mas mudei muito na minha forma de ser. Não deixei de ser amiga, sou até mais amiga, mas daqueles que realmente são meus amigos. Não deixei de amar, mas não permito mais que me pisem o coração. Não deixei de trabalhar, mas hoje são novas áreas. As que só permitia ficarem guardadas em cofres.

Só para avisar que já abri armários e consegui assaltar coisas boas dos cofres. Sim, ainda não consegui tudo, falta muita coisa e sei que perdi muita coisa para sempre. Mas os passos foram dados e podes descansar mas não podes parar.

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