PREGNANCY

medos da segunda viagem

Out 25, 2017 teamgunn

Medos da segunda viagem

Não vou viajar mas até gostava. Mãe de primeira viagem, experiência da segunda viagem… algumas das frases mais comuns no léxico popular. De facto é engraçado fazer esta ponte e nunca tinha pensado nisso até ter escrito este artigo.

A primeira vez que andei de avião tremia de medo que ele caísse, não que agora seja diferente mas o pensamento é mais subtil e menos persistente. O sentimento de insegurança era constante e qualquer comportamento estranho eram tomados por mim como ameaçadores. Gravidez do Pikas hiper tranquila até entrar na viagem pós parto e ver-me diante um novo ser nos braços. Não foi fácil, não foi de todo. Noites sem dormir (quando digo sem dormir eram mesmo noites inteiras sem fechar o olho), cólicas desde o segundo dia de vida, choro inconsolável e um sentimento avassalador de, má mãe. O cansaço a tomar conta de nós e o medo de não conseguir dar a volta e inverter o sentido daquela viagem. Sentimentos semelhantes estes, o da maternidade e o da primeira viagem de avião. A ameaça do nascimento à estabilidade emocional da viagem; a novidade da experiência que confrontada com o medo da viagem gerou atitudes inseguras e o medo apoderou-se. Primeira viagem, primeira gravidez, primeira vez mãe, primeira de tudo. Com muitos medos, inseguranças, asneiras e más maneiras lá consegui (consigo) ser uma boa mãe.

Segunda viagem, mais leve, menos aflita e com mais certezas. Mas há um medo novo, um sentimento diferente e cada vez mais presente.

Medo de ser mãe de dois, de não conseguir dar conta dos dois, de não conseguir ser boa mãe para nenhum dos dois, de não conseguir amar os dois. Principalmente tenho medo de não conseguir amar o ‘amendoim, ainda sem nome’, tanto como o Pikas. Parece absurdo eu sei mas tenho receio de fazer distinção entre os dois; não que tenham de ser tratados de forma igual, eles são diferentes logo o cuidar também será diferente. Não é isso! É o sentimento de não gostar tanto dele como gosto do Pikas. Pensamentos de traição, de que estou a trocar um pelo outro, que um anula o outro e que não há espaço no sentimento para amar os dois. Dizem que é normal, dizem que tudo passa e eu acredito que sim. Mas ajuda-me partilhar, ajuda-me escrever e ajuda-me porque acima de tudo se escrevo torno real e posso trabalhar isso.

O medo das viagens de avião seguintes foram-se transformando e apesar de presentes são menos óbvios, menos angustiantes, mais camuflados talvez. Quase como na gravidez, o medo em redor do físico, do cuidar, do toque .. hoje não o é mais, mas deslocou-se para um medo mais emocional, mais ao redor do sentimento e do cuidar interno.

E por aí como correram essas viagens?

[#beguibelly #18semanas]

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Aqui com 18 semanas e em 2013 também publiquei um post sensivelmente com o mesmo tempo de gestação. 19 semanas de Pikas (ver aqui)

[photos Joana Hall]