CHILDREN

não vais ao segundo?

Fev 02, 2017 teamgunn

segundo filho

Não vais ao segundo ?

Saímos para passear, encontramos amigos, vêem o Pikas, umas festas na cabeça e logo perguntam: ‘então e o segundo?’.

Segundo?! Conto sim todos os segundos, minutos, horas e dias que passo com ele, todos como se fossem únicos e sinto-os como se fossem só nossos.

Saímos para jantar, elogiam o Pikas e a seguir – ‘precisas de um irmão’. Precisa?! Será que a sociedade não aguenta a felicidade de um e ‘obriga-nos’ a ter o segundo (só o segundo…porque se fores ao terceiro és maluca!). Ele tem muito e precisa de um irmão para dividir, não pode ser tudo para ele. É isso?!

Brinca, salta, corre, pinta, faz birras… Pronto, aqui vem outravez. ‘Está a precisar de um irmão.’ Pois claro, ele faz birras não porque tem 3 anos mas sim porque precisa de um irmão. Nem é nada esperado as birras, são completamente despropositadas. Irmão, remédio santo!

‘Para quando a menina? Há que formar um casal.’ Mas que raio, quem disse que eu quero um casal.

‘Tudo se cria’. Como se as necessidades hoje se resumissem a ter uma casa e comer. Sim pondero, sim avalio e sim faço contas. Isso é mau?! Pensar em dinheiro é mau? ‘Tudo se cria’ como se de animais estivéssemos a falar, como se um segundo filho não tivesse o mesmo direito que o primeiro, como se o segundo viesse para ficar com as sobras e com os restos que o primeiro deixou.

Hoje (e sempre) as pessoas têm cada vez menos o direito de se intrometerem na vida alheia.

Hoje (e sempre) as pessoas apontam o dedo e esquecem-se do espelho mágico que nos mostra o próprio reflexo.

Hoje (e sempre) tenho o direito de responder, de dizer o que penso e o que defendo.

Mas hoje (e sempre) as pessoas têm a legitimidade de questionarem sobre o desejo de um segundo filho. Mais ou menos próximas, com mais ou menos relação, é natural que me perguntem. Aceito-o e geralmente desenrolo uma conversa com pano para mangas. Depois quem não se cala sou eu.

Aliás recordo-me de uma tarde de Verão,  sentados na esplanada de um café e entre amigos surgir uma espécie de prós e contras sobre termos ou não um segundo filho. Legítimo os argumentos deles, legítimo perguntarem e legítimo quererem saber mais.

Hoje (e sempre) o discurso de quem tudo sabe, o discurso detentor da verdade, o discurso que dita leis é o reflexo das pessoas que só olham para o seu umbigo e falam da boca para fora.

E Hoje o sentimento é ‘Mais mãe e menos irmão’ como diz a Joana Gama do blog ‘a Mãe é que sabe‘.

 

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photo credits

JOANA HALL PHOTOGRAPHY