CHILDREN

Impotência

Dez 03, 2017 teamgunn

Impotência foi o sentimento que mais tomou conta de mim durante a cirurgia do Pedro. Uma cirurgia simples, de ambulatório mas com angústia e medos equivalentes a um desamparo.

Tentei ser prática, tentei esclarecer todas as dúvidas, tentei fazer tudo aquilo que diz o ‘protocolo’.  Mas um sentimento de incapacidade tomou conta de mim e as lágrimas correram quando recebi a mensagem ‘já está’. O Pedro tinha adormecido e entrado no bloco.
Optamos por não ser eu acompanhar o Pedro nos momentos pré e pós operatório devido à gravidez e à vivência emocional inerente. Por um lado não vi e há aquele ditado que diz ‘longe da vista longe do coração’ mas por outro o desejo do toque, do abraço estava a domar-me. Eu do lado de fora, na sala de espera. O pai com ele na preparação e no recobro. Uma troca louca de mensagens e fotos, tudo para me tranquilizar e mostrar que tudo estava bem. E sei que estava, tudo seguia e seguiu dentro do esperado, tudo deu certo e o Pedro é um valente.

Não sei se é por estar grávida ou se é simplesmente por ser mãe mas tenho de partilhar que não é fácil lidar com a separação e o sentimento avassalador de impotência.

Adormeceu. Já está anestesiado. Está lá dentro no bloco e nós aqui. E se ele precisa de mim? E se chama por nós? E se chora?
O meu lado racional dizia-me que ele estava bem; a equipa sabia o que fazer; e é normal se chorar ao acordar da anestesia. Mas o meu lado emocional mostrava-me: ‘só eu sei como limpar as lágrimas, só eu sei como o acalmar, só eu sei dar colo’.
Coisas de mãe, talvez!
Senti-me literalmente engolida por esta presa emocional e perdi-me. Chorei confesso. Lágrimas gordas foram escorrendo mas não se contiveram e tive de me refugiar na casa de banho para poder libertar tudo.

Fiquei melhor mas o sentimento continuava lá. Uma hora já tinha passado. Não chegavam notícias. ‘É normal’, diziam-me. ‘Está tudo a correr como esperado’. Mas o meu coração ainda estava apertado.
Finalmente o Pedro sai do bloco, a dormir. Chegou-me uma fotografia. Dormia profundamente e na mensagem até dizia que ressonava. Não houve gritos, não houve choros, houve um Ruca que o despertou e ele abriu o olho. Acordou!

Impotência, incapacidade, ausência, perda, separação … tudo desapareceu! Ele estava bem, continuava a ser o meu Pedro, estava igual, estava bem!

impotência sentimento aquando a cirurgia do filho

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