CULTURE

a ressaca da cambada

Dez 01, 2016 teamgunn

A ressaca da cambada

Memórias! A cura para a ressaca da cambada!

O que fica depois do dia mais longo de Guimarães?! Memórias do que se conversou, imagens de quem se [re] encontrou, palavras que se ouviram, partilhas entre velhos e novos e marcas estampadas nas peles [quer das caixas e bombos como até fisicamente].

Vivências de geração em geração, pais que levam filhos, avós que ensinam netos, e tradições que perduram e estão aí com muita histórias para contar. Uma noite longa, uma noite que começou mal o sol se pôs e me fez correr para que pudesse fazer tudo o que pretendia. Um Pikas que assiste a esta tradição desde os 5 meses mas ontem teimou em querer que as caixas parassem de tocar.

‘mamã manda as pessoas pararem de tocar’.

Impotente por nao conseguir atender ao seu desejo e frustrada por não conseguir ver diversão no seu rosto. Nada o atraía. A decoração de Natal que o fixa, passava ao lado. Os sinos que costuma procurar nas igrejas, eram ignorados. Os miúdos que saltavam, corriam e tocavam era-lhes indiferente. Porque não estás tu a divertir-te? é um dia tão sentido e tu não vês? Egoísta esta tua mãe que só pensa em satisfazer o Ego e centrar o orgulho nela – ter um filho que gosta do Pinheiro. Pára! o que está de errado aqui? O que posso eu fazer para me colocar do teu lado e perceber o que se passa e o que queres fazer? Um dia de escola. Estiveste com os amigos, brincaste, saltaste e correste, concerteza. OK, percebo porque não te atrai estes míudos que te circundavam no Largo da Oliveira. É fim do dia estás cansado, queres mimo, queres a mãe e o pai. Ok mas nós estamos aqui, porque não estás a sorrir? Está muito barulho. Será isso? Mas tu estás familiarizado com movimento e ainda é cedo, não me parece estar assim tanto barulho. ‘Quero o teu colo mama!’ Mesmo como quem quero estar contigo e tu estás para aí a tocar tambor. Afinal só queres é estar comigo. Puxa pela cabeça mamã e pensa em algo para fazeres com o Pikas e mostrar lhe o que é esta festa. Caixas no chão, umas grandes outras pequenas transformaram-se em panelas e tachos e as a baquetas em colheres e garfos. Fantasia mãe, faz de conta! Bingo. Baquetas que esmagavam as batatas da sopa, percutindo um som na pele semelhante ao toque que se ouvia ao fundo. Baquetas que mexiam a sopa nas panelas improvisadas. O Chef Pikas que mudou a indumentária e o gorro passou a ser o de Nicolino.

Dói-me a mão, dói-me o braço e doiem-me os olhos de tanto sono que tenho. Não me lembro de tocar caixa durante tanto tempo seguido, quase 5 horas a exercitar os braços entre movimentos mais ou menos enérgicos dependendo da aceleração do toque. Os ‘velhos’ insistiam em manter o ritmo suave enquanto a energia fugaz dos ‘novos’ abalroava os que botavam a frente do cortejo. Tenho sono e agora que acabei de trabalhar só penso na minha cama e dormir. Mas tenho o Pikas que tem muita sede, sede de mãe e de pai, ontem bebeu pouco e hoje há que hidratar. Uma ressaca de sono que parece que vai ter de aguardar mais umas horas para encontrar a cura.

Palmas, cumprimentos, sorrisos e abraços. Deixem passar os velhos! Sabedoria, ensinamentos, respeito. Deixem passar os velhos!

‘deixem-nos ver os nossos’

Disse uma senhora ao meu lado.

Tive frio. Tive calor. Tive sede. Tive dor.

Tipicamente noite de Pinheiro. O ar gélido entrava pela frinchas da gola alta e aumentava o frio que já sentia quando não tinha umas baquetas na mão.

Um calor humano estendeu-se em latitude pelas ruas da cidade. Umas baquetas que dançavam entre as mãos e aqueciam a pele arrepiada.

Memórias dos que tocam, dos que preparam os instrumentos e dos que ajudam. Memória dos que tocam, dos que ensaiam e dos que assistem.

Ouvi, vivi, vi, toquei, marquei, falei, comi, bebi e senti!

Superem essa ressaca, cambada! Superem porque as nicolinas não se resumem ao Pinheiro. Ainda há muito para ver.

Ficam as memórias do Pinheiro porque as Nicolinas ‘só terminam quando o mundo acabar’!

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