CULTURE

Pinheiro, cambada de bêbados a tocar tambor.

Nov 28, 2016 teamgunn

Nicolinas

Pinheiro, cambada de bêbedos a tocar tambor.

Muitas são as pessoas que se identificam com esta frase, muitas são as vezes que ouço este palavreado e ainda serão mais as vezes que o meu sangue ferve de zanga quando a crítica fútil e sem argumentos impera uma conversa de café. Dia 29 de Novembro, desejado por muitos e criticado por outros. É de facto o dia em que o consumo de álcool aumenta, é de facto o dia em que o barulho se torna ensurdecedor e incomoda as pessoas que querem dormir e é de facto o dia que leva mais gente à cidade. Uma cidade que ganha vida, uma cidade que se une no rufar dos tambores, um povo que se aquece num dos dias mais frios do ano.

As festas que os estudantes de Guimarães dedicam ao seu padroeiro são de facto singulares. São as que mais emoções despertam e as mais fervorosas. Quase à semelhança do amor que os Vitorianos têm pelo seu clube. [Não sou Vitoriana mas admiro e respeito imenso a paixão vibrante dos seus adeptos.] Os Guerreiros que se unem em prol do clube hoje são guerreiros que lutam em prol da sobrevivência de uma tradição.

Quem vive as festas Nicolinas sente-se insultado com as tentativas desencontradas de interpretação, com a crítica que advém do julgamento vicioso. Estão todos muito alertas a tudo o que se passa em redor mas esquecem-se de se olharem ao espelho e antes de criticarem, auto encarem-se. [eu bem digo #umaselfiepordianaosabeobemquelhefazia]. O espelho lá de casa deve ser pequeno e a ‘cambada de bêbedos que dançam em frente ao DJ’ numa discoteca rapidamente é justificada como ‘haaaa isso é diferente’. Bom argumento, sim senhora! ‘Haaaa isso é só para quem estudou em Guimarães…’ mas depois o espelho lá de casa também se esquece de reflectir quando saímos para as festas de recepção ao caloiro ou para as festas de Queima das fitas… também justificado como ‘haaa isso é diferente…’.

Diferente o tanas. Estamos cada vez mais centrados no nosso umbigo. Tudo o que gira nossa volta, seja bom ou mau, parece ser motivo para um julgamento em forma de condenação. No entanto, condenar não resolve absolutamente coisa alguma, apenas distancia. Egoístas e implicantes.

Eu não estudei em Guimarães, nem sempre fui ao Pinheiro, não conheço a tradição desde sempre mas sempre a respeitei.  Deixei-me levar pela amizade, permiti que me ensinassem, aceitei ouvir o eco de uma noite animada e consegui sentir o espírito do nicolino. Algum ciúme confesso… queria ter conhecido esta festa há mais tempo. [Saudade de um tempo que não vivi].  À mesa, com rojões, castanhas e vinho. Já não estou na fase da típica receita (bebida eleita pelos jovens estudantes) … Eheh acho que nunca estive; demasiado doce para mim. Ano após ano, o dia 29 de Novembro, é data ‘sagrada’ dos (re) encontros. Aprendi a tradição, aprendi a fazer parte, aprendi a tocar, aprendi as Nicolinas!

Hoje faço parte da cambada de amigos que vai jantar uns rojões à maneira

Hoje faço parte da cambada que sai à rua para tocar tambores

Hoje faço parte da cambada que bebe uns canecos (a responsabilidade está lá e não ficou escondida na gaveta do armário)

Hoje faço parte da cambada!

Mas não quero que o meu filho faça parte daqueles julgam esta cambada, quero transmitir a essência da tradição das Festas Nicolinas.

Vai desde pequenino, desde os 5meses, muito bem agasalhado e os ouvidos bem protegidos (ver aqui). Hoje já com caixa, oferecida pelos tios (também eles fervorosos desta festa) e trajado a rigor, começa a rufar as baquetas na pele, este ano batizada com pintura pela prima Bia!

Porque desta tradição, fazem parte os tios, os pais, os primos, os amigos e a família!

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[photo credits: Joana Hall photography]

Pikas Pinheiro 2014 from Joana Hall on Vimeo.